RELAÇÕES

Até a meados da geração dos anos 90 (gays) qual é nossa referencia de relacionamento, de vida a dois? Como se comportar? Como dividir as responsabilidades? como constituir uma família?

Tivemos como referência os nossos pais (a grande maioria) um modelo heterossexual, mas como aplicar isso num casal gay?

Como distinguir o homem e a mulher da relação? (Erroneamente a sociedade vê o gay passivo como a mulher da relação e o gay ativo como o homem da relação, e muitas vezes a condição de prazer sexual não tem haver com essa associação, temos isso até nas relações heteras, mulheres dominadoras, homens submissos) Como dividir as tarefas? Como planejar o dia a dia de duas pessoas do mesmo sexo? Tantas questões e muitas vezes sem uma formula, uma cartilha, enfim.




Li recentemente um texto falando dos padrões gays, que os próprios gays impõe para a sociedade, dizia resumidamente assim:

"Gays para suprir o 'pecado' de ser homossexual, tentam ter os melhores corpos, a melhor inteligencia, ser mais viajado, falar mais língua, ser mais generosos, ter os namorados mais lindos e desejados, ter o melhor emprego, cargo, melhor salario, viver viajando para lugares 'ricos', ter muitos amigos, estarem sempre na moda, como roupas caras, sempre em grandes badalações e festas, levar uma vida de glamour e perfeição, que todos invejariam, justamente para justificar o 'erro' de ser homossexual"

E que se torna uma coisa obrigatória, fake eu diria, abri esses parenteses para dar contexto no meu pensamento.

O fato é que para se ter relacionamento, todos inicialmente precisamos de um modelo, para seguir como ideal, e o modelo que temos é heterossexual mas para nós gays?

Precisamos desconstruir- lo e buscar referências (talvez na mídia) em historias (relacionamentos perfeitos), em coisas (talvez) não tangíveis e até mentirosas, fazemos de conta que a relação sera perfeita, que somos perfeitos.

Como é a relação entre dois homens, duas mulheres? A dinâmica do dia a dia é diferente de um casal hétero, claro, não existe perfeição, existe aceitação, existe vantagens e desvantagens.

O que eu quero concluir com todas essas ideias soltas, é que o relacionamento gay, das pessoas da geração de 80, são relações fortificadas por um árduo caminho de desconstrução do que conhecemos como relação de um dia a dia, pessoas que acreditaram no amor, mesmo não entendendo como iria ser, aprendendo, vivendo, construindo historias, fórmulas (talvez) e que serão referencias para uma nova geração.

Uma nova geração que tem todo o poder da comunicação a um clique, que busca suas referencias e modelos em mídias expositivas, que mostram 'a perfeição' que o gay tem que ser para suprir 'o desvio' de ser quem é. E não é bem por ai...

Relações são feitas de pessoas imperfeitas, iguais e diferentes que por algum motivo estão dispostas a se entregar para trilhar uma vida acompanhada, aprendendo e descobrindo as nuances de ser feliz e felicidade.

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